As compras de medicamentos pelo SUS voltaram ao centro das atenções após auditoria do Tribunal de Contas da União identificar fragilidades em processos licitatórios, contratações diretas e controle de estoques.
O alerta do TCU impacta diretamente gestores públicos, fornecedores de medicamentos e empresas que participam de pregões eletrônicos na área da saúde.
O que o TCU fiscalizou nas compras de medicamentos do SUS?
O Tribunal de Contas da União realizou auditoria sobre a aquisição de medicamentos custeados com recursos federais, envolvendo:
- Ministério da Saúde
- Secretarias estaduais
- Secretarias municipais que recebem repasses do Fundo Nacional de Saúde (FNS)
A fiscalização analisou:
- Pressupostos legais das licitações
- Justificativas para contratações diretas
- Modalidade escolhida
- Controle de estoque
- Transparência na aplicação de recursos federais
Esse tipo de auditoria se insere na competência constitucional do TCU de exercer controle externo sobre a aplicação de recursos públicos federais, inclusive quando transferidos a estados e municípios.
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Principais irregularidades encontradas nas compras públicas de medicamentos
A auditoria apontou problemas recorrentes que são, inclusive, comuns em outros tipos de contratação pública:
Irregularidades nos processos licitatórios
Foram identificados:
- Direcionamento e montagem de licitações
- Uso indevido de contratação direta sem justificativa legal adequada
- Escolha de modalidade de licitação inadequada
Com a vigência plena da Lei 14.133/2021, o uso do pregão eletrônico para aquisição de bens comuns, como medicamentos padronizados, tornou-se regra, salvo inviabilidade comprovada.
Problemas de controle e execução contratual
Além das falhas formais, a auditoria detectou:
- Deficiência no controle de estoque
- Sobrepreço
- Superfaturamento quantitativo (entrega inferior ao contratado)
Esse ponto é extremamente sensível, pois envolve não apenas risco financeiro, mas impacto direto no abastecimento do sistema público de saúde.
Falta de transparência na aplicação dos recursos do FNS
Também foi constatada ausência de transparência em contas de estados e municípios que recebem recursos do Fundo Nacional de Saúde.
O FNS, gestor financeiro do SUS na esfera federal desde 1969, é responsável pela transferência de recursos para assistência farmacêutica. Quando esses recursos não são devidamente rastreáveis, o risco de desvio e má gestão aumenta significativamente.

Determinações do TCU para o Ministério da Saúde e entes federados
Diante das fragilidades identificadas, o Tribunal determinou:
- Adequação dos normativos do Ministério da Saúde
- Reforço da obrigatoriedade do pregão eletrônico para aquisição de medicamentos
- Orientação formal a estados e municípios quanto à adoção preferencial dessa modalidade
- Garantia de rastreabilidade dos recursos por instituições financeiras responsáveis pela movimentação dos valores
A exigência de uso do pregão eletrônico está alinhada às diretrizes de transparência, competitividade e redução de sobrepreço previstas na nova Lei de Licitações.
O que isso muda para fornecedores de medicamentos?
Empresas que participam de licitações na área da saúde precisam estar atentas a três pontos estratégicos:
1️⃣ Aumento do rigor documental
Falhas formais e inconsistências tendem a ser mais facilmente detectadas em ambientes de fiscalização intensificada.
2️⃣ Maior foco em rastreabilidade e execução contratual
Não basta vencer o pregão. A execução será acompanhada com maior atenção, especialmente em relação a quantidades entregues e preços praticados.
3️⃣ Risco ampliado de responsabilização
Em casos de direcionamento ou superfaturamento, fornecedores também podem sofrer sanções administrativas, suspensão e declaração de inidoneidade.
TCU e Governança nas Licitações da Saúde
O papel do Tribunal de Contas da União vai além da punição. Ele atua como órgão de controle externo responsável por:
- Fiscalizar gastos federais
- Avaliar políticas públicas
- Emitir determinações e recomendações
- Aprimorar governança e gestão pública
No contexto das compras de medicamentos, o foco está em:
- Eficiência
- Transparência
- Competitividade
- Integridade dos processos
Existe alguém de olho nas contratações públicas?
Sim! O TCU atua como guardião da correta aplicação dos recursos federais.
No caso das compras de medicamentos do SUS, a auditoria reforça que a fiscalização está ativa e que falhas estruturais em licitações e execução contratual não passam despercebidas.
Para gestores, o alerta é de reforço nos controles internos.
Para fornecedores, é momento de profissionalização e conformidade total.

FAQ: TCU e compras de medicamentos pelo SUS em 2026
O que o TCU avaliou na auditoria das compras de medicamentos do SUS?
O TCU analisou a legalidade e a governança de licitações e contratações custeadas com recursos federais, incluindo processos do Ministério da Saúde e contratações de estados e municípios que receberam repasses para assistência farmacêutica.
Quais irregularidades são mais comuns nas compras públicas de medicamentos?
Entre os achados mais recorrentes estão direcionamento e montagem de licitações, contratações diretas sem justificativa adequada, escolha de modalidade inadequada, sobrepreço e problemas na execução contratual (como entrega em quantidade inferior à contratada).
Por que o pregão eletrônico é tão citado nas determinações do TCU?
Porque o pregão eletrônico tende a aumentar competitividade e transparência na aquisição de bens comuns. O TCU frequentemente reforça sua adoção preferencial, com exceções apenas quando houver inviabilidade comprovada e bem fundamentada.
O que é superfaturamento quantitativo em compras de medicamentos?
É quando a Administração paga pelo quantitativo contratado, mas a entrega efetiva ocorre em quantidade menor do que a prevista. Isso exige controle rigoroso de recebimento, conferência e gestão de estoque.
Como a falta de controle de estoque pode gerar desperdício e risco de responsabilização?
Sem rastreabilidade e governança de estoque, aumentam riscos de vencimento, perdas, compras duplicadas e divergências entre demanda real e aquisição, além de fragilizar a comprovação de boa gestão em auditorias.
O que muda para fornecedores com o TCU mais atento às compras do SUS?
Tende a haver maior rigor em documentação, transparência de preços, comprovação de capacidade de entrega e rastreabilidade na execução contratual. Falhas podem resultar em sanções e perda de competitividade.
Como estados e municípios devem tratar recursos do Fundo Nacional de Saúde (FNS)?
Devem assegurar transparência, rastreabilidade e correta prestação de contas dos recursos federais recebidos, com controles internos consistentes e registros que sustentem o ciclo completo da contratação e execução.
Quais medidas ajudam a reduzir riscos em licitações de medicamentos em 2026?
Planejamento de demanda, especificação adequada, pesquisa de preços robusta, preferência por pregão eletrônico quando aplicável, gestão de contratos com conferência de entregas e implantação de controles internos e trilhas de auditoria.