A licitação de coleta e gestão de resíduos não contrata somente a retirada de materiais. Dependendo do objeto, a empresa pode assumir acondicionamento, fornecimento de recipientes, pesagem, transporte, transbordo, tratamento, reciclagem, destinação, disposição de rejeitos e emissão de documentos que comprovem o percurso realizado.
Qual resíduo será coletado e gerenciado?
A primeira decisão é classificar o fluxo contratado, porque resíduo urbano, reciclável, de saúde, químico, industrial, funerário ou de construção exige operações diferentes. A origem, a composição e a periculosidade afetam recipientes, frequência, veículo, tratamento, unidade receptora, licenças e preço. O nome genérico “resíduo” não é suficiente para cotar.
| Fluxo encontrado nos editais | Serviços possíveis | Ponto crítico de análise |
|---|---|---|
| Resíduos sólidos urbanos | Coleta domiciliar ou comercial, transporte, transbordo, triagem e disposição de rejeitos | Rotas, frequência, população atendida, volume, frota, equipe e distância até a unidade receptora |
| Materiais recicláveis | Coleta seletiva, triagem, prensagem, armazenamento e encaminhamento para recuperação | Segregação, contaminação, propriedade do material, pesagem e comprovação do aproveitamento |
| Resíduos de serviços de saúde | Acondicionamento, coleta, transporte, tratamento e destinação dos grupos especificados | Grupo do resíduo, risco, recipiente, frequência, tratamento autorizado e rastreabilidade |
| Resíduos químicos ou perigosos | Coleta especializada, armazenamento temporário, transporte, tratamento e destinação | Caracterização, compatibilidade, embalagem, transporte de produtos perigosos e licenças |
| Resíduos da construção civil | Caçambas, coleta, transporte, triagem, reciclagem e destinação | Classe, mistura de materiais, unidade de medição, tempo de permanência e destino permitido |
| Resíduos de poda e volumosos | Coleta, trituração, transporte, reaproveitamento e destinação | Redução de volume, equipamentos, interferências na via e composição do material |
| Resíduos laboratoriais ou especiais | Inventário, segregação, acondicionamento, coleta programada, tratamento e destinação | Diversidade de resíduos, incompatibilidade química, volumes pequenos e custo mínimo de mobilização |
A classificação informada pelo órgão deve ser confrontada com o termo de referência, inventários, laudos, plano de gerenciamento, histórico de geração e regras aplicáveis. O fornecedor não deve alterar a classificação por conta própria para encaixar o resíduo em uma solução mais barata. Quando faltarem dados essenciais, cabe pedir esclarecimento antes da proposta.
Essa leitura também evita confundir resíduo com rejeito. Pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, destinação ambientalmente adequada pode incluir reutilização, reciclagem, compostagem, recuperação, aproveitamento energético, tratamento e outras soluções admitidas. A disposição em aterro é destinada aos rejeitos, observadas as normas aplicáveis.
Até onde vai a rota contratada?
A rota pode começar no ponto de geração ou em uma central já preparada pelo órgão. Ela pode terminar na entrega ao destinador, no tratamento ou somente depois da comprovação da destinação. Para precificar corretamente, a empresa deve marcar cada etapa incluída, o responsável por executá-la e a evidência exigida para o aceite.
Segregação e acondicionamento
Descubra se o órgão entregará o resíduo já separado ou se a contratada deverá implantar recipientes, identificar pontos, substituir embalagens e orientar equipes. Sacos, bombonas, caixas para perfurocortantes, contêineres, caçambas e etiquetas podem estar incluídos no preço, fornecidos pelo gerador ou medidos separadamente.
Coleta e transporte
A coleta depende de número de pontos, endereços, frequência, janela de atendimento, tempo de carga e condições de acesso. O transporte acrescenta distância, pedágio, combustível, capacidade do veículo, higienização, rastreamento e eventuais exigências para cargas perigosas. A menor distância em mapa nem sempre corresponde à rota operacional permitida.
Transbordo, armazenamento e consolidação
Quando existe unidade intermediária, confirme quem a opera, quais resíduos ela pode receber e por quanto tempo os materiais permanecerão no local. O transbordo pode melhorar a logística, mas acrescenta descarga, recarga, controle de estoque, estrutura licenciada e risco de incompatibilidade entre resíduos.
Tratamento, destinação e disposição
O termo de referência deve indicar a solução esperada ou os resultados técnicos e ambientais exigidos. Incineração, autoclavagem, reciclagem, compostagem, coprocessamento e disposição em aterro não são alternativas equivalentes para qualquer material. A solução ofertada deve ser compatível com o resíduo, as licenças e os documentos da contratação.
O que mostram as contratações públicas recentes?
Os processos recentes mostram objetos que abrangem laboratórios, unidades de saúde, cemitérios e sistemas urbanos. Alguns contratam toda a cadeia, incluindo gerenciamento e acondicionamento; outros concentram transporte, contêineres ou uma categoria específica de resíduo. Essa diversidade confirma que o fornecedor deve interpretar a rota contratual, e não somente procurar a palavra “coleta”.
| Órgão e processo | Objeto observado | Leitura para o fornecedor |
|---|---|---|
| LFDA-SP/Ministério da Agricultura — PE 90009/2026 | Gerenciamento, coleta, acondicionamento, transporte, armazenamento, tratamento e destinação de resíduos gerados em duas bases laboratoriais | O uso de “gerenciamento” amplia a análise para planejamento, recipientes, controle dos fluxos e documentos, além da retirada física. |
| Prefeitura de Alegre/ES — PE 012/2026 | Coleta, transporte, tratamento e destinação de resíduos de serviços de saúde, com pessoal, materiais, veículos e equipamentos | A composição deve incorporar toda a estrutura necessária, sem presumir que insumos ou equipamentos serão fornecidos pelo município. |
| Prefeitura de Torres/RS — PE 264/2026 | Acondicionamento, coleta, transporte, tratamento e destinação de resíduos funerários não anatômicos provenientes de exumações | Resíduos de origem específica exigem leitura própria do acondicionamento, tratamento, segurança e evidência de destino. |
| Prefeitura de Cruzília/MG — PE 051/2025 | Transbordo, transporte rodoviário, fornecimento de contêiner, tratamento e destinação ou disposição de resíduos urbanos em unidade licenciada | O custo depende da operação intermediária, do equipamento disponibilizado e da distância até a unidade receptora. |
| Município de Sobral/CE — PE 26005-SMS/2026 | Coleta, transporte, tratamento e destinação de resíduos de serviços de saúde do Grupo A, subgrupo A1 | A identificação do grupo interfere na solução técnica; “resíduo hospitalar” não deve ser tratado como categoria única e indiferenciada. |
Encontre os editais que aceitam a sua rota operacional
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Quem responde por cada etapa e documento?
A divisão de responsabilidades precisa aparecer na proposta e na formação do preço. Gerador, transportador, armazenador temporário e destinador podem ter obrigações próprias, mesmo quando uma única contratada coordena toda a operação. Subcontratar uma etapa não elimina automaticamente a necessidade de verificar licenças, capacidade, documentos e correspondência entre resíduo recebido e destino autorizado.
| Atividade | Questão a confirmar no edital | Evidência operacional possível |
|---|---|---|
| Caracterização | Quem classifica e informa composição, estado físico, quantidade e risco? | Inventário, laudo, ficha do resíduo ou registro do gerador |
| Acondicionamento | Quem fornece recipientes, embalagens, etiquetas e substituições? | Relação de recipientes, controle de entrega e inspeção |
| Coleta | Quais pontos, frequências, horários e quantidades mínimas? | Ordem de serviço, registro de retirada e controle de rota |
| Pesagem | Onde será realizada e qual balança ou documento será aceito? | Ticket de pesagem, relatório por unidade e memória de medição |
| Transporte | Quais veículos, licenças, cadastros e documentos acompanham a carga? | Identificação do veículo, motorista, rota e manifesto aplicável |
| Tratamento | Qual processo é compatível e quem comprova sua execução? | Relatório, registro de recebimento ou certificado previsto |
| Destinação | Qual unidade receberá o material e o que sua licença permite? | Manifesto concluído, certificado de destinação e comprovante da unidade |
| Faturamento | A medição depende de peso, volume, coleta, rota ou relatório? | Planilha de medição e documentos vinculados à nota fiscal |
Quando o edital deixa uma responsabilidade ambígua, a empresa deve formular pedido de esclarecimento antes da disputa. Uma frase como “todos os custos incluídos” não permite calcular corretamente um serviço se não estiver claro quem fornece recipientes, emite documentos, paga o destinador ou responde por alterações no volume.
Como conferir licenças e rastreabilidade da cadeia?
A regularidade precisa ser verificada por atividade, instalação, localização e tipo de resíduo. Uma licença de transporte não comprova autorização para tratar, armazenar ou destinar, assim como a licença de uma unidade não cobre automaticamente outra filial. O fornecedor deve validar toda a cadeia, os prazos de validade e as condicionantes aplicáveis.
A Lei nº 12.305/2010 estabelece a Política Nacional de Resíduos Sólidos, enquanto o Decreto nº 10.936/2022 a regulamenta. O enquadramento concreto também depende das normas ambientais, sanitárias, municipais, estaduais e setoriais relacionadas ao resíduo e às instalações envolvidas.
Na análise documental, verifique, conforme o edital e a atividade:
- licença ou autorização ambiental da transportadora, quando aplicável;
- licença da unidade de armazenamento, transbordo, tratamento ou destinação;
- compatibilidade entre os resíduos autorizados e aqueles descritos no edital;
- endereço, CNPJ, capacidade e validade dos documentos de cada instalação;
- cadastros ambientais, sanitários ou de transporte exigíveis para a operação;
- responsável técnico e documento de responsabilidade, quando o enquadramento exigir;
- plano de contingência, seguro ou procedimentos de emergência, se previstos;
- atestados compatíveis com as parcelas relevantes do serviço.
Não basta apresentar uma pilha de documentos válidos: eles precisam formar uma cadeia coerente. O veículo indicado deve poder transportar o resíduo; a unidade intermediária deve poder recebê-lo; o tratamento deve ser adequado; e o destino final deve estar autorizado. Se houver subcontratação, confirme os limites permitidos e a documentação de cada participante.
Quando o processo exigir experiência anterior, analise se o atestado demonstra coleta, transporte, tratamento, destinação ou apenas uma dessas etapas. Veja como interpretar o atestado de capacidade técnica sem presumir que qualquer serviço ambiental comprova todo o escopo.
O MTR comprova sozinho a destinação do resíduo?
O Manifesto de Transporte de Resíduos acompanha e registra a movimentação, mas não deve ser confundido com todos os comprovantes da execução. Conforme o enquadramento, o contrato pode exigir manifesto, aceite do destinador, certificado de destinação, ticket de pesagem e relatório mensal. Esses registros precisam apresentar quantidades e participantes compatíveis entre si.
A página oficial do MTR no SINIR informa que o manifesto é um documento autodeclaratório válido nacionalmente. Geradores sujeitos ao plano de gerenciamento, transportadores, destinadores e armazenadores temporários devem registrar as movimentações abrangidas, conforme a Portaria MMA nº 280/2020.
Alguns estados utilizam sistemas próprios integrados ao SINIR. Por isso, o fornecedor deve verificar qual plataforma é adotada pela autoridade ambiental competente e quem emitirá, confirmará e encerrará cada documento. Desde 1º de agosto de 2026, o acesso ao módulo nacional do MTR passou a utilizar exclusivamente a autenticação Gov.br, conforme comunicado do SINIR.
Na conferência mensal, cruze pelo menos cinco dados: identificação do gerador, tipo de resíduo, quantidade coletada, transportador e unidade destinadora. Diferenças entre manifesto, pesagem, certificado e nota fiscal devem ser tratadas antes do faturamento.
Resíduos urbanos, de saúde e perigosos seguem as mesmas regras?
Não. A Política Nacional de Resíduos Sólidos fornece a base geral, mas cada fluxo pode estar sujeito a regras adicionais de saneamento, vigilância sanitária, meio ambiente, transporte e segurança ocupacional. O fornecedor deve identificar o enquadramento antes de escolher veículo, recipiente, tratamento e documentação, sem estender uma exigência setorial a todos os resíduos.
Limpeza urbana e resíduos sólidos urbanos
Contratos municipais podem abranger coleta manual ou mecanizada, contêineres, coleta seletiva, transbordo, transporte, tratamento e disposição de rejeitos. A operação depende do plano municipal, do sistema de rotas, das condições viárias, da frequência e das metas previstas. Varrição, capina e outros serviços de limpeza urbana só integram o preço quando estiverem no escopo.
A NR-38 estabelece requisitos de segurança e saúde para atividades de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos. A norma entrou em vigor em 2 de janeiro de 2024 e teve atualizações posteriores, razão pela qual a empresa deve consultar o texto consolidado vigente durante a análise do edital.
Resíduos de serviços de saúde
A RDC Anvisa nº 222/2018 regulamenta as boas práticas de gerenciamento dos resíduos de serviços de saúde e alcança as diferentes etapas do gerenciamento. Hospitais, unidades básicas, laboratórios, serviços veterinários e outras unidades podem gerar grupos distintos, que não devem ser misturados ou precificados como se exigissem o mesmo tratamento.
Confira a responsabilidade do gerador pelo plano de gerenciamento, os grupos incluídos no contrato, os recipientes, a frequência e o tratamento previsto. A contratada não deve assumir que todo material retirado de uma unidade de saúde é infectante, nem que todos os grupos podem seguir a mesma rota.
Resíduos classificados para transporte como produtos perigosos
Quando o material estiver sujeito às regras de transporte rodoviário de produtos perigosos, devem ser observadas as prescrições vigentes sobre classificação, embalagem, identificação, documentação, veículos e responsabilidades. A ANTT mantém a regulamentação e as orientações atualizadas, incluindo a Resolução nº 5.998/2022 e suas alterações.
Nem todo resíduo é automaticamente produto perigoso para fins de transporte. O enquadramento deve ser feito com base nas características do material e nas regras aplicáveis. Se o edital não trouxer elementos suficientes, a empresa deve solicitar a caracterização antes de definir embalagem, veículo, documentação e preço.
Como a unidade de medição altera o risco comercial?
Esses serviços podem ser medidos por tonelada, quilograma, metro cúbico, coleta, recipiente, quilômetro, equipe mensal ou preço global. Cada unidade transfere riscos diferentes ao fornecedor. Antes do lance, é necessário entender como a quantidade será apurada, quais documentos sustentam a medição e se existe volume mínimo efetivamente contratado.
| Unidade de medição | Uso possível | Risco para a proposta |
|---|---|---|
| Quilograma ou tonelada | Resíduos pesados em balança na origem, transbordo ou destino | Diferença de balança, umidade, tara, perda de massa no tratamento e baixo volume por viagem |
| Metro cúbico | Caçambas, contêineres e resíduos volumosos | Compactação, preenchimento parcial, geometria do recipiente e conversão indevida para peso |
| Coleta ou viagem | Retiradas programadas ou sob demanda | Distância, volume por retirada, tempo de espera e pedido mínimo |
| Recipiente por período | Disponibilização de contêineres, bombonas ou caçambas | Manutenção, higienização, reposição, avaria e ociosidade |
| Equipe por mês | Operação contínua de coleta ou limpeza | Dimensionamento de pessoal, reserva, benefícios, equipamentos e cobertura de ausências |
| Quilômetro ou rota | Coleta urbana e serviços com percurso definido | Alteração da malha, desvio, trânsito, consumo e tempo improdutivo |
| Preço mensal ou global | Gerenciamento integral com diversos fluxos | Variação de quantidade, inclusão de novas unidades e custos de destino não segregados |
Se a medição ocorrer por peso, confirme a balança aceita, responsabilidade pela tara, periodicidade e tratamento das divergências. Se ocorrer por coleta, descubra a capacidade prevista e o que acontece quando o recipiente estiver parcialmente cheio. Quando houver estimativa anual, não a trate como consumo garantido sem previsão contratual.
A rota está fechada antes do lance?
Uma oportunidade só está tecnicamente fechada quando a empresa consegue ligar o ponto de geração a um destino autorizado sem lacunas documentais ou econômicas. O teste abaixo ajuda a interromper a cotação antes que uma ausência de licença, capacidade, medição, contingência ou comprovação seja transformada em obrigação contratual sem preço correspondente.
Resíduo identificado: origem, grupo ou classe, estado físico e quantidade estão claros.
Retirada executável: pontos, frequência, recipientes, acesso, equipe e veículo foram dimensionados.
Cadeia regular: transportador, unidade intermediária e destinador possuem documentos compatíveis e válidos.
Destino disponível: capacidade, distância, preço, horário de recebimento e solução alternativa foram confirmados.
Aceite comprovável: manifesto, pesagem, certificado, relatório e regra de faturamento conseguem ser conciliados.
Se uma resposta for negativa, classifique o problema como dúvida de edital, pendência documental, limitação operacional ou custo desconhecido. Algumas lacunas podem ser resolvidas por cotação ou diligência interna; outras exigem esclarecimento formal do órgão. Não use margem genérica para encobrir uma etapa cuja execução ainda não foi definida.
Como formar o preço a partir da rota?
A precificação deve começar no destino e voltar até o ponto de coleta. Primeiro confirme o custo e a disponibilidade da solução final; depois acrescente tratamento, transbordo, transporte, equipe, recipientes, administração e documentos. Essa ordem impede que a empresa vença a coleta sem possuir uma rota técnica e economicamente viável para concluir o serviço.
| Grupo de custo | Componentes a considerar |
|---|---|
| Destinação ou disposição | Tarifa da unidade, quantidade mínima, classificação aceita, tributos e reajuste |
| Tratamento | Processo contratado, consumo, capacidade, perdas, controle e documentação |
| Transbordo e armazenamento | Descarga, carregamento, equipe, equipamentos, espaço e controle da unidade |
| Transporte | Veículo, combustível, motorista, pedágio, manutenção, higienização, rastreamento e retorno vazio |
| Coleta | Coletores, tempo por ponto, frequência, acesso, equipamentos e improdutividade |
| Acondicionamento | Sacos, caixas, bombonas, caçambas, contêineres, etiquetas, higienização e reposição |
| Segurança | EPI, EPC, capacitação, programa de prevenção, emergência, exames e seguros |
| Gestão e comprovação | Manifestos, relatórios, pesagens, certificados, responsável técnico e controle contratual |
| Contingência | Veículo reserva, indisponibilidade da unidade, derramamento, avaria e coleta extraordinária |
| Administração e resultado | Tributos, despesas indiretas, custo financeiro, risco e margem operacional |
Simule cenários de baixa e alta geração. Em resíduos especiais, uma coleta pequena pode não ocupar a capacidade do veículo, mas continuará consumindo equipe, deslocamento e documentação. Em contratos urbanos, alteração de rota, crescimento do volume e distância até o destino podem comprometer o custo por tonelada ou por mês.
Também verifique reajuste, repactuação quando aplicável, duração do contrato e possibilidade de mudança da unidade receptora. A planilha de custos da licitação deve funcionar como memória da rota, permitindo relacionar cada obrigação do termo de referência ao respectivo custo.
Como apresentar a solução técnica sem prometer além da capacidade?
A proposta técnica deve demonstrar que a empresa compreendeu o fluxo e consegue executá-lo com os recursos ofertados. Ela precisa permanecer coerente com licenças, atestados, veículos, instalações e subcontratados. Textos genéricos como “destinação conforme a legislação” não identificam a rota nem permitem verificar se a solução atende ao resíduo contratado.
Quando solicitado, apresente de forma objetiva:
- resíduos e grupos contemplados;
- pontos, frequência e método de coleta;
- recipientes e equipamentos disponibilizados;
- veículos, capacidades e recursos de contingência;
- unidades de transbordo, tratamento e destinação;
- tecnologia aplicada a cada fluxo;
- documentos de rastreabilidade e medição;
- equipe, responsáveis e canais de atendimento;
- procedimento para ocorrências, recusas e resíduos incompatíveis.
Não indique uma unidade destinadora apenas para atender à proposta se a capacidade, o preço e a aceitação do resíduo não estiverem confirmados. Se a contratação permitir subcontratação, descreva a participação de terceiros nos limites do edital. O conteúdo sobre proposta técnica em licitações de serviços ajuda a estruturar essa demonstração.
Como controlar a execução e o faturamento?
A execução deve produzir uma trilha verificável entre solicitação, retirada, transporte, pesagem, tratamento, destino e cobrança. Sem essa ligação, a empresa pode executar corretamente e ainda enfrentar glosas ou atraso no aceite. O controle precisa funcionar por coleta e também de forma consolidada por unidade geradora, resíduo e período de medição.
- Receba a ordem de serviço e confirme ponto, resíduo, quantidade estimada e janela de coleta.
- Verifique recipiente, identificação, incompatibilidades e condições de acesso antes do carregamento.
- Registre data, horário, equipe, veículo e quantidade retirada.
- Emita ou confira o documento de transporte aplicável antes da saída.
- Registre transbordo, armazenamento ou tratamento quando essas etapas integrarem a rota.
- Obtenha pesagem, aceite do destinador e certificado ou comprovante previsto.
- Concilie quantidades e participantes entre todos os documentos.
- Monte a medição conforme a unidade contratual e trate divergências antes da nota fiscal.
- Arquive licenças, registros e relatórios pelo prazo definido no contrato e na legislação aplicável.
Indicadores úteis incluem coletas realizadas, quantidade por fluxo, ocorrências, recusas, atraso de rota, divergência de pesagem e documentos pendentes. Porém, só adote metas, níveis de serviço ou descontos que estejam previstos no edital; não transforme sugestões de gestão em obrigações universais.
Como a Effecti ajuda fornecedores do setor de resíduos?
A Effecti ajuda empresas do setor a localizar editais compatíveis com seus serviços, regiões e tipos de resíduo, além de organizar oportunidades e etapas da participação. Com buscas mais específicas, a equipe consegue separar coleta urbana, resíduos de saúde, transporte, tratamento, contêineres e destinação, evitando analisar processos fora da capacidade operacional ou documental.
Os filtros podem combinar expressões técnicas, localização e perfil do órgão. Assim, uma transportadora não precisa receber os mesmos resultados de uma empresa de tratamento, e uma operadora de resíduos de saúde pode reduzir ocorrências relacionadas a resíduos urbanos ou de construção. Conheça os diferenciais do módulo Encontrar da Effecti.
A plataforma apoia a busca e o acompanhamento, mas a decisão de participar continua dependendo da análise do edital, das licenças, da rota, da capacidade disponível, dos custos e dos riscos assumidos pela empresa.

Perguntas frequentes sobre licitação de coleta e gestão de resíduos
As principais dúvidas envolvem o alcance do serviço, a regularidade ambiental, o Manifesto de Transporte de Resíduos, a unidade de pagamento e a comprovação do destino. As respostas abaixo orientam a triagem inicial, mas o fornecedor deve aplicar as exigências específicas do edital, do resíduo, da localidade e das autoridades competentes.
O que pode estar incluído em uma licitação de gestão de resíduos?
O objeto pode incluir segregação, fornecimento de recipientes, coleta, pesagem, transporte, transbordo, armazenamento, tratamento, reciclagem, destinação, disposição de rejeitos e emissão de documentos. A empresa deve identificar quais etapas estão incluídas e quem responde por cada uma.
Uma licença ambiental cobre toda a operação?
Não necessariamente. As autorizações dependem da atividade, da instalação, da localização e dos resíduos abrangidos. Transporte, armazenamento, transbordo, tratamento e destinação podem exigir documentos diferentes. A validade, o endereço, o titular e os resíduos autorizados devem ser conferidos em toda a cadeia.
O MTR substitui o certificado de destinação final?
Não necessariamente. O MTR registra e acompanha a movimentação do resíduo, enquanto o contrato ou a regulamentação aplicável pode exigir aceite do destinador, certificado de destinação, ticket de pesagem e relatório. O fornecedor deve conferir quais documentos comprovam a execução e sustentam o faturamento.
Como os serviços de coleta de resíduos podem ser medidos?
A medição pode ocorrer por quilograma, tonelada, metro cúbico, coleta, viagem, recipiente, quilômetro, equipe mensal ou preço global. A proposta deve considerar como a quantidade será comprovada, se existe volume mínimo, quem realiza a pesagem e quais documentos acompanham a medição.
Resíduos de serviços de saúde podem ser cotados como resíduos urbanos comuns?
Não de forma automática. Os grupos de resíduos de serviços de saúde possuem características e regras próprias de gerenciamento. O fornecedor deve verificar a classificação, o acondicionamento, o transporte e o tratamento previstos, sem presumir que todos os resíduos gerados em uma unidade de saúde seguem a mesma rota.
Quais custos não podem faltar na proposta?
Devem ser considerados recipientes, coleta, equipe, veículos, combustível, pedágio, transbordo, tratamento, tarifa de destino, pesagem, documentação, segurança, higienização, contingência, gestão, tributos e margem. Entregas dispersas, baixo volume e retorno vazio também podem alterar significativamente o custo.